terça-feira, 15 de abril de 2014

Horses Hotel

No breu do quarto, coloco em voz alta, converso contigo sobre a vida e dúvidas; questiono os desacertos, as incongruências, o que não faz sentido. Peço por uma luz, não uma resposta, mas uma perspectiva porque eu nem sei o que perguntar.

Hoje você me atendeu: agora percebo que eu queria sentir medo. Nossos olhos se refletiam um no outro. Sua boca disse que queria me tocar. Nessa hora, o ar era só chumbo. Minha boca era deserto, a respiração, nenhuma, enquanto eu sustentava o olhar para não demonstrar fraqueza. O desconforto era quase insuportável, afinal eu era o centro do universo. E eu não tinha medo.Você quis me amedrontar e eu senti vontade de rir, e o fiz por dentro – você nem se deu conta.

Eu era uma boba mesmo.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Ao pé da montanha

“Declaramos ter como instrutores e mestres espirituais, responsáveis por nosso progresso na existência presente, pelo menos, Espíritos hindus e egípcios. Talvez, por isso, estas particularidades de iniciação rigorosa resultem dos métodos das Escolas a que tais instrutores se prendem no Espaço, como se prenderam na Terra, e não seja o fato ou a exigência, de ordem tão geral como se poderia supor. O certo é que até mesmo nossos estudos doutrinários, nosso trabalhos espirituais, nossas leituras, e até mesmo nossos passeios e diversões, são por eles dirigidos, sob o máximo rigor e método invariável. E quanta renúncia tudo isso nos há custado! Escolhem os livros que devemos ler, suspendendo, por vezes, leituras doutrinárias, para que não sobrevenha o fanatismo, e advertem-nos da inconveniência dos jornais! Apontam-nos as horas de trabalho, as companhias e os amigos, os Centros Espíritas a frequentar. Desviaram-nos o matrimônio das preocupações, desde antes dos vinte anos de idade. E se amarguras colhemos, insistindo em ilusões do gênero, reconhecemos que provieram da desobediência aos seus conselhos. Pertencendo a uma família onde havia bons intérpretes da Música, fomos impossibilitada igualmente de estudá-la, não obstante a grande vocação, pois nos diziam os instrutores hindus, vendo-nos insistir nas tentativas de um curso de piano: - Somente um caminho deverá existir à tua frente – a doutrina do Cristo, o Consolador! És espírito reincidente em erros graves, a quem se cogita, do Invisível, de auxiliar a se reerguer, agora que a seleção dos valores existentes no Planeta será feita para o advento da Luz. A Música virá mais tarde, com o dever cumprido. Obterás compensações às lágrimas que chorares pela impossibilidade desse ideal” (pág. 148 e 149)

PEREIRA, Ivone A. Devassando o Invisível. FEB, 1963.
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Aos poucos fui mudando, desapegando de velhos vícios. Divido-me quanto à realidade que hoje vivencio. Se feliz me reconheço pelo caminho percorrido até agora, também sinto novo vazio, novas angústias em resposta ao silêncio da vida. Ávida por aprendizado, bocejo diante da roda do cotidiano. Ao pé da montanha, estou.

sábado, 5 de abril de 2014

So special

“Do yourselves a favor,
get in the water now.
You might be thinking it´s
too uncool or stupid,
but you'll never know
how you really feel about it
until you jump in. Go ahead.
Give it a chance. And, hey,
you just might like it”.

And then the “fanfare for a son” comes on.
Beautiful.

At Middleton (2013)
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domingo, 30 de março de 2014

Não exijas, ame

“Quem sabe pode muito, quem ama pode mais” - Chico Xavier
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A casa se encontra mais calma, há um quê de harmonia no ar, quase se pode sentir o cheiro de flores. Isso é muito bom. Respira-se mais levemente, já que tudo deu certo.
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Em contrapartida, brigo incessantemente com o corpo, o espírito grita uma posição e o corpo grita outra. Não poderia estar mais confusa, apesar de que a situação que se repete deixa uma certa sensação familiar. Situação que se repete a vida inteira e, claramente, tem algo a mostrar – mas o quê? A alma pede novos projetos, novos caminhos, novos trabalhos – mas o quê? Não há como saber se a calmaria é prêmio ou momento de arrumar a bagunça.

sexta-feira, 21 de março de 2014

De repente: chuva

21/03/14

Já reparou,
tem gente que só é
quando sofre.
Se tudo vai bem,
tudo pode esperar;
Nada é urgente.

Quando fomos feitos
para ser, para agir.
Adia-se o inevitável,
quando correr a favor da mudança,
É encontrar-se. É felicidade.
É chuva, assim, de repente.

sexta-feira, 14 de março de 2014

A mosca


- Cuidado para a mosca não cair no seu prato.
- Não tem problema, eu mentalizo para ela ir embora.
- Eu tenho um método melhor – e fez movimentos repetitivos de assassino.
- Entendo, o seu método é físico.

E demo-nos conta: a mosca tinha ido embora.

- É, o seu método é melhor, reconheceu o outro.
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“Coincidência”: Mattia Pascal x House. Tendo terminado de ler a história sobre um homem que é tido como morto e passa a viver nova vida; no dia seguinte, assisto o último episódio de House, em que o próprio usa o infortúnio do Mattia para enganar a todos.

Bravo!

quinta-feira, 13 de março de 2014

Ah,...que delicioso!

Queria eu escrever um poema...dizer com palavras bonitas qualquer coisa de ordinário, mas com uma visão toda poética. E teria um título assim: Lodola, lodoletta.
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(…) “O Emaranhamento, se existe, é portanto, deliberado; o mecanismo, se existe, é, portanto, deliberado; mas não por mim e, sim, pela própria fabulação, pelas próprias personagens. E, com efeito, revela-se imediatamente: a miúdo, é arranjado e posto à vista no próprio ato de arranjá-lo e armá-lo. É a máscara para uma representação, o desempenho do papel que cabe a cada qual, aquilo que desejaríamos ou deveríamos ser e aquilo que, aos outros, parece que somos, ao passo que, o que somos, nem nós mesmos, até certo ponto, o saberemos; é metáfora bisonha e incerta de nós mesmos; a construção, frequentemente cerebrina e capciosa, que fazemos de nós ou que de nós fazem os outros: logo, realmente, um mecanismo, sim, em que cada qual, deliberadamente, repito, é o títere de si mesmo. Depois, no fim, vem o pontapé, que manda pelos ares a geringonça toda.” (p.319)

PIRANDELLO, Luigi. Advertência sobre os escrúpulos da fantasia. São Paulo: Abril Cultural, 1978.
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Gentil cotovia, o que você traz de notícia? Boa, espero. O que você anda espiando do alto das árvores? Diga se vê algo que mereça atenção. Diga se vê uma janela ao lado de uma amendoeira, janela que serve de contato entre o eu e a natureza. Você se vê no reflexo? Pensa que é você mesma ou outra lodoletta? Canta pra mim, cotovia, canta alto para eu ouvir do lado de cá da janela.